PL Antifacção: Senadores avaliam retomar texto original do governo federal
13 de Novembro, 17:21 por Will Willame

Por Cleber Lourenço
O Senado já trabalha com uma hipótese concreta para o PL Antifacção: se a Câmara entregar um texto confuso, truncado e cheio de problemas, a Casa deve simplesmente reinstalar a versão original enviada pelo governo federal.
A avaliação entre líderes é direta e politicamente pesada: a Câmara virou uma usina de erros técnicos e recuos improvisados, e o Senado, na prática, passou a funcionar como a última barreira institucional contra projetos mal construídos.
Esse incômodo, que vinha crescendo nos bastidores, explodiu nas últimas semanas. Senadores relatam que a condução do presidente da Câmara, Hugo Motta, segue um padrão desgastado: pouco diálogo, muita pressão, versões remendadas e um vai e volta que transforma qualquer pauta sensível em um problema político.
As mudanças constantes feitas por Guilherme Derrite no relatório reforçaram a percepção de que o texto chega ao Senado sem solidez jurídica e lastro político.
A leitura dominante no Senado é que, se a Câmara insistir em entregar um texto instável, carregado de contradições ou sem coerência com o marco legal existente, o caminho mais seguro será restaurar o projeto elaborado pelo Ministério da Justiça. Para senadores influentes, isso não é apenas uma correção técnica, é um gesto de autoridade institucional e um recado claro à Câmara.
Renan Calheiros é um dos senadores que acompanha de perto cada desdobramento do PL Antifacção. Ele tem voz ativa no tema e carrega uma bagagem que reforça seu peso na discussão: já foi ministro da Justiça e defende a criação de uma estrutura específica para o combate ao crime organizado, com a separação do Ministério da Justiça e da Segurança Pública em duas pastas distintas.
A experiência e a visão histórica de que o Estado precisa de mecanismos próprios e coordenados para enfrentar facções tornou Renan uma figura central no Senado na avaliação sobre o projeto.
CNN Brasil
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